Tesouro Direto versus poupança. Uma batalha desigual

Tesouro Direto

A tradicional poupança teve captação negativa no primeiro semestre de 2015, ou seja, a retirada de recursos foi superior ao volume de aplicações. Com isso, muitas pessoas se perguntaram: para onde estão migrando os recursos do brasileiro?

A resposta é simples: para o Tesouro Direto.

Segundo relatório de agosto do Tesouro Nacional, no acumulado de 2015, as vendas de títulos públicos para pessoas físicas através do programa Tesouro Direto alcançaram 1,4 bilhão de reais, ao passo que os resgates, aproximadamente 400 milhões.

Isso demonstra que o alerta vermelho dos investidores foi finalmente aceso quando a inflação ultrapassou a remuneração oferecida pela tradicional poupança. Nesse ponto, ficou claro que, aqueles que não buscassem novas opções de investimentos, teriam rentabilidade real negativa.

O que é o Tesouro Direto?

Resumidamente, o Tesouro Direto é o sistema pelo qual o Tesouro Nacional vende a pessoas físicas os mesmos títulos públicos que são oferecidos às grandes instituições financeiras.

No início, porém, o programa não chamou tanto a atenção da população, por ser visto como algo complicado, voltado para financistas. A começar pelos nomes e siglas dos títulos públicos:

  • Letras do Tesouro Nacional (LTN);
  • Letras Financeiras do Tesouro (LFT);
  • Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F);
  • Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B);
  • Notas do Tesouro Nacional – Série C (NTN-C).

Pronto. Aí já se tinha motivo de sobra para afastar do programa todos aqueles que não estão familiarizados com o mercado financeiro.

Outro fato que incomodava um pouco o brasileiro era o de apenas às quartas-feiras ser possível resgatar os investimentos. Afinal, às vezes a necessidade de recursos do investidor poderia ser mais imediata que isso.

Por que agora os títulos públicos estão se popularizando?

Na verdade, o acesso ao programa já era extremamente simples. A principal barreira era mesmo psicológica.

Bastava o investidor possuir um número de CPF, o que é obrigatório para todo brasileiro maior de 18 anos, e se cadastrar em uma instituição financeira habilitada.

Posteriormente ao cadastro, os investimentos e resgates sempre puderam ser realizados pela internet, em uma área exclusiva, no site do próprio Tesouro Nacional.

O que mudou?

Recentemente, porém, o Tesouro Nacional reformulou o sistema e rompeu a barreira psicológica do brasileiro.

 

Liquidez: Em primeiro lugar, aumentou a chamada “liquidez”. Em outras palavras, agora o investidor pode realizar seus resgates todos os dias, entre 18 horas e 5 horas do dia seguinte.

 

Valor acessível: Além disso, a fração mínima de título que pode ser adquirida foi reduzida para um por cento do título inteiro e o valor mínimo de aplicação, para trinta reais.

 

Novos nomes: Talvez a alteração mais importante, os nomes dos títulos foram reformulados, para deixar bem claro como é determinada a rentabilidade de cada um. Em vez da antiga sopa de letrinhas, agora se tem:

  • Tesouro Selic: Título que rende a taxa Selic;
  • Tesouro Ipca: Título que rende a inflação somada a um percentual de juros;
  • Tesouro Prefixado: Título cuja rentabilidade é livre e toda determinada no ato da contratação.

 

Investimento programado: Para facilitar a vida de quem poupa um pouquinho todos os meses, o Tesouro Direto conta com o sistema de agendamento. Você pode programar para que, todos os meses, ocorra a compra automática daquele montante referente à sua poupança mensal.

 

Vencimento: Todos os títulos apresentam o chamado dia do vencimento, quando são obrigatoriamente resgatados e o valor creditado na conta do investidor junto à instituição financeira pela qual realizou seu cadastro e investiu.

 

Reinvestimento automático: Você pode optar para que todo o seu investimento, ou apenas um percentual dele, seja reinvestido no mesmo tipo de título público, ou em outro tipo qualquer, quando  ocorrer o vencimento.

O que é o Tesouro Direto

Enfim, o brasileiro acordou para o Tesouro Direto

Embora atinja ainda um percentual muito baixo da população, pois são cerca de 550 mil investidores cadastrados e um total de 200 mil ativos, o número de investidores no Tesouro Direto tem crescido a uma taxa superior a 30% ao ano.
Outro fato que chama a atenção é que a proporção de investidores homens: tradicionalmente na faixa de 80% dos cadastrados, com relação aos novos cadastros, a taxa é de cerca de 70%.
Enfim, embora ainda seja bastante desigual a proporção de homens e mulheres que investem no Tesouro Direto, essa diferença tem reduzido ultimamente.
Pelo que os números mostram, os brasileiros perceberam que podem obter a mesma segurança da poupança nos títulos públicos, só que com rentabilidade maior.
Infelizmente, foi necessário a inflação subir muito para que isso ocorresse. Mas ocorreu e isso é bom.

Estatísticas e mais informações

Os dados aqui apresentados foram retirados do Relatório Mensal de agosto de 2015, disponível na página de estatísticas do Tesouro Direto.

Um comentário:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *